Mar Herculano

desprotegida e sem laços... numa explosão de emoções!

Meu Diário
22/01/2009 01h02
ESCREVER!

Manaus, 21 de Janeiro de 2009.

Escrever tem sido para mim um processo de catarse. É retirar da alma tudo aquilo que a incomoda, amedronta, fere. E talvez seja esta a razão dos meus textos estarem sempre recheados pela melancolia e tristeza!
Sou passional... um tormento para quem necessita ter tranquilidade no dia a dia. Então extravazo nos versos meio que sem sentido; mas, que aliviam e renovam as forças!
Hoje deixo um texto antigo... e no entanto, tão atual... Exatamente como me sinto agora, nesse exato momento! Quem sabe amanhã essa sensação já faça parte do passado?



RESPOSTA AO APELO

Também já não sinto o vento no rosto, o calor do sol na pele, sequer consigo distinguir as cores desfilando à frente, indiferentes à minha dor, ao vazio frio da alma. Não posso ter o privilégio de deixar a consciência escorrer pelo ralo... mas, desejaria fazê-lo. Como gostaria de me permitir esse boom num acesso de irreprimível loucura onde pudesse simplesmente ser eu! Sem mais entrelinhas, verdades veladas, onde – sem receio algum de demonstrar as fragilidades – entregasse ao momento o poder da escolha baseada no incontestável sentimento!
 
Tua Clarice amarga solidão e tornou-se incapaz de tirá-lo do eterno estado de suspensão; estando ela mesma condenada ao febril tormento da espera interminável!
 
O Propósito? Não me pergunte agora quando tudo perde o sentido, até mesmo o amor compartilhado. Propósitos são armadilhas que nossa mente cria, pois, nem sempre seguem a trilha da emoção! E em quê se transforma a vida sem emoção? Exatamente no que estamos dividindo agora: a necessidade de se rasgar inteiro, de gritar até a exaustão, de chorar todas as lágrimas para nunca mais cair!
 
Propósito? Talvez tenha um agora e é ele a minha sentença! Tua Clarice se perdeu e já não pode ser resgatada! Deixe-me ficar no escuro e te deixarei quieto no mesmo lugar aonde segue procurando o rumo. Consegues enxergar o chão, então, ainda te cabe a esperança.
 
O que procuras? Bem o sabes! É o que ainda resta a mim... saber o que procuro! Se possível sem propósitos! Anseio que desta forma possa novamente sentir o vento a tocar-me o rosto; o amor a tomar-me o coração, a mente e o corpo! E assim, essa luz tão ansiada por ti possa, aos poucos, libertar-me!
 
Não me dei conta do que digo! Pareço tanto contigo!
 
Nunca suportarei abrigar a fagulha fria de um cadáver em paz! Nem mesmo tu; pois, as ações mais do que as palavras expressam as verdades por ti contestadas! Somos tempestade, vendaval! Para nós não existe a quietude do olho do furacão! Para nós só existe a espera.




Publicado por Marúcia Herculano em 22/01/2009 às 01h02

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