

07/02/2009 23h50
DOR
Manaus, 07 de fevereiro de 2009 Desde ontem a sensação de perda me acompanha. Sensação de morte! Um homem em pleno vigor da idade expirou à minha frente, tendo como única companhia o esforço de todos os que estavam presentes na tentativa de mantê-lo vivo! A morte não me é estranha! É rotina em minha vida! Eu mesma já estive duas vezes bem próxima à ela, segura por uma de suas mãos! Entretanto, havia um diferencial que não sabia e ainda não sei explicar! Hoje seis minutos após publicar um soneto sobre as impressões em mim causadas ontem caía na princesinha do solimões (Manacapuru) um avião proveniente da cidade de Coari com destino à Manaus! Caiu justamente no mesmo rio onde há 21 anos sofria um acidente que a mim não causou graves danos físicos; mas, que modificou rumos que já julgava traçados! A princesinha das cirandas e dos banhos de igarapé aos domingos já foi palco de muitas tragédias! Navegar, sobrevoar ou pegar a estrada na Amazônia neste período do ano é uma aventura da qual não sabemos se iremos sair vivos! Chuvas torrenciais e prolongadas, umidade, descaso, imprudência e uma variedade de fatores contribuem para as tragédias! Penso na dor dessas famílias... e penso que poderia ser comigo ou um dos meus entes amados! A morte é inevitável, porém, sempre motivo de dor... seja ela anunciada ou inesperada. Hoje chorei... pelo homem com quem convivi algumas semanas no hospital e assisti morrer... chorei lágrimas semelhantes aos de sua família... aquelas que inutilmente tentei secar e confortar! Chorei pelos sonhos perdidos, pelas metas interrompidas! Chorei de tristeza, embora, saiba de nada adiantar! Chorei porque senti! Publicado por Marúcia Herculano em 07/02/2009 às 23h50
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