

14/02/2009 02h04
PRECISO...
Manaus, 13 de fevereiro de 2009 Estou me tornando - ou será que sempre fui (?) - narcista. Dei para falar da intimidade tão bem resguardada durante décadas! Não tenho muitas histórias para contar e nem sou misteriosa! Sou potencialmente enfadonha, tiranicamente comum; porém, pergunto-me: por que necessito aparentar uma sofisticação e inteligência incomuns ao escrever? Se na minha simplicidade possuo o que de mais assustador existe naquele que traz consigo e para quem acaba tendo que conviver com essa característica? A Inconstância... A maioria das pessoas confunde-me com a pequena estatura e o sorriso meigo! Sim, sou pequena e muito meiga... temperamento carinhoso e apaixonado! Mas, como sou inconstante e teimosa! Não falo disso com soberba e tampouco, envergonhada! Eu sou assim! Propensa a mudanças e sentindo urgência nelas; contudo, não mais colocando-as como imposições! Que venham naturalmente e a partir da conscientização, e, não apenas por a ausência de completa estabilidade e maturidade representarem desencontros e perdas! Ora, eu também convivo com características e atitudes que me desagradam; todavia, não arrefecem minha ternura e meu sentimento por quem as carregam. Não estou disposta a pagar o preço da completa submissão a fim de caminhar menos solitária! Eu PRECISO não deixar de me reconhecer para me aprimorar, ainda que nesse reconhecimento enxergue coisas que me arrepiem a alma! Descobri possuir na palavra uma espada cortante! Eu nem me dei conta quando isso ocorreu! Apenas sei que iniciou como uma tentativa de defesa. E no entanto, hoje, esta arma afiadissima urge disciplina! Ter essa consciência me conforta haja vista poder investir em mudanças nesse sentido! Descartar-me dela? Não... apenas não ser por ela dominada e possuir discernimento, sutileza e sensibilidade para saber quando, como e com quem utilizá-la! Por várias ocasiões fiz dela o meu refúgio contra as frustrações e perdas e, assim, comportei-me como menina mimada, leviana e sem consideração! Horrível... Quem as escuta e por elas se sente atingido jamais irá atinar o que se encontra nas entrelinhas e atrás das linhas! Minhas razões e medos! Meus... Então, sem nenhuma razão para decarregá-los em alguém, ainda que esse alguém grite dentro de mim como o sino de uma catedral na hora do Angelus! Entretanto, reitero PRECISO TANTO de ti palavra... teimosa, malcriada, birrenta... só aqui, tá? Dentro de mim ou nas folhas em branco onde adormecem tranquilamente! Preciso por serem, ainda (e um dia isso terá fim), o meu único brado de independência, de impotência, de indignação... Não se magoem pela denominação de infantis, hipócritas ou qualquer outro tipo de suposição... Enquanto estiverem guardadinhas em mim, eu as protegerei... e sobreviverei na arrogância de prosseguir na crença de ser eu mesma e de saber que alguém pode dominar o meu corpo; mas, não o meu espírito! Não importa a minha estatura... ao teu lado, palavra, eu cresço... e sou feliz! Vem se deitar na minha cama e povoar os meus sonhos... e a mim abrace com carinho e sem receio, pois, tu, que me conheces, sabe que o amor sempre será maior que toda e qualquer dureza demonstrada por mim! Publicado por Marúcia Herculano em 14/02/2009 às 02h04
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