

02/03/2009 23h05
PARA JANAÍNA
É a chance de fazer a festa dos seus sonhos. A balada da sua vida. A balada de Debutantes da sua vida. E eu diria mais: a chance de idealizar a construção do próprio viver; pois, quando se retirarem os últimos convidados restará a certeza de que nada mais será como antes. Sente-se mais adulto, mais capaz de tomar as próprias decisões, realizar escolher... porém, até que ponto tal suposição é verdadeira depende de fatores outros que não se iniciam e nem finalizam após a comemoração, a valsa. E dentre esses fatores, talvez o principal deles seja a humildade para reconhecer estarmos em constante processo de aprendizado, de amadurecimento – que não advém apenas com a idade – mas, com o firme propósito de sermos eternos aprendizes e como tais, dispostos a reconhecer que nem sempre os nossos pontos de vista são os mais sábios, os mais corretos. Compreender que enfrentaremos decepções, frustrações e perdas. E que a vida só trabalha em prol daqueles dispostos a fazerem jus ao presente que é a existência: gratuita, repleta de surpresas e possibilidades. A debutante de hoje é alguém de significado mais que profundo. Descrevê-la como especial seria algo simplório demais a fim de atestar o seu papel em minha trajetória. Ela sempre será fonte de amor incondicional, fecundo e, sobretudo, um espírito iluminado, indomado, por vezes incompreensível em nosso limitado discernimento e cheia de abissais mistérios que, na impossibilidade de desvendá-los, só cabe através deles se deixar enfeitiçar. A mim não faz muita diferença se completa 5, 15 ou 50 anos, pois, sempre recordarei o dia em que veio ao mundo, 16 de fevereiro de 1994, numa quarta-feira de cinzas, onde aguardávamos ansiosos e inquietos ouvir seu choro – o mesmo choro que no futuro faríamos de tudo para converter em sorrisos de alegria – e poder tocar o corpinho tão carente de cuidados e amor! Porque amar, antes de qualquer outra coisa, significa cuidar! Procurar retirar os espinhos do caminho e, na impossibilidade de evitar as mágoas podermos amenizá-las. Quando amamos, a felicidade do ente amado é também a nossa! A vida é um milagre tão grandioso; milagre de todos os dias e que podemos constatar em tudo o que nos cerca e, contudo, banalizamos... sem nos darmos conta da enorme responsabilidade em ser cuidadores e exemplos desses pequenos seres a quem Deus nos oferta temporariamente a guarda! Não importa se sejamos os pais, os tios, os avós ou amigos. Cada qual possui papel intransferível na construção emocional e moral dum ser. Cada um de nós... já pensamos a respeito disso? Janaína, em especial, fez-me pensar neste fato incontáveis vezes. Algumas de forma orgulhosa, noutras tomada por angústias, preocupações e incertezas. Além de sobrinha, é ela também, minha afilhada. E foram tantas as ocasiões em que li em seus olhos o amor, a ternura e o referencial em mim posto; a espera de atitudes que apontassem caminhos, que servissem como motivação. Ver olhar tão expressivo e expectante e ser indiferente é uma tarefa a qual jamais conseguiria levar a termo. Meu amor, nem sempre fui o exemplo mais claro, mais edificante. Tantos foram os meus tropeços... e tantas vezes foste tu quem me consolou quando o mais coerente seria o inverso! Entretanto, hoje, quero apenas deixar registrada a enorme e inesgotável fonte de sentimentos e emoções que és... e o quanto te amo e me orgulho de ti! Publicado por Marúcia Herculano em 02/03/2009 às 23h05
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