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12/05/2009 23h50
FAZ ESCURO, MAS, EU CANTO
Manaus, 12 de Maio de 2009
A foto que ilustra esta postagem é do município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, um dos municípios banhados pelo Rio Negro.
O mesmo Negro que é nossa fonte de vida, de ternura e orgulho... e que cujas águas a cada dia se avolumam mais como fossem lágrimas da natureza a chorar por um mundo insano, repleto de malícia, injustiças, maldades...
Mas, Thiago de Mello já dizia: FAZ ESCURO, MAS, EU CANTO... PORQUE A MANHÃ VAI CHEGAR!
Grande Thiago... gostaria de ter ilustrado o texto com a foto de sua cidade natal, a doce Barreirinha; porém, hoje é cidade fantasma, como 90% da área urbana e rural submersas... sua população foi desalojada das casas para abrigos... agora os abrigos também são inundados e eles precisam sair da cidade. Mas, ouvindo as palavras que saem da boca desses ribeirinhos não encontrei lamentos, nem choro... apenas esperança!
Porque FAZ ESCURO, MAS, EU CANTO... e a mesma várzea hoje inundada daqui alguns meses está verdejante de vida... de vida que se renova, que não desiste nunca, que aceite o que é inevitável mas, nem por isso se acovarda! Viver é um dom, um presente; porém, devemos nos mostrar dignos dele nas adversidades, na perda, na continuidade, na capacidade de acreditar. Porque esse mesmo mundo insano, repleto de malícia, injustiças, maldades; também é um mundo feito de amor, entrega, renúncia, coragem, determinação, hombridade, divindade! E por isso, vale a pena lutar!
Agora vou dormir... se FAZ ESCURO (...), MAS A MANHÃ LOGO, LOGO VAI CHEGAR!
MADRUGADA CAMPONESA
[Thiago de Melo]
Madrugada camponesa
faz escuro ainda no chão
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite,
a manhã já vai chegar.
Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar a solidão.
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre,
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.
Breve há de ser (sinto no ar)
tempo de trigo maduro.
Vai ser tempo de ceifar.
Já se levantam prodígios,
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão,
um leite novo minando
no meu longe seringal.
Já é quase tempo de amor.
Colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana,
minha alma no seu pendão.
Madrugada camponesa.
Faz escuro (já nem tanto),
vale a pena trabalhar.
Faz escuro mas eu canto
porque amanhã vai chegar.
Publicado por Marúcia Herculano em 12/05/2009 às 23h50
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