

ENVENENADA
Pudesse cerrar para sempre a pálpebra Envenenada por cortante e nua frieza! Sou meretriz... de longínqua pureza Concubina da enganadora palavra!
Imputada no peito inviolável draga Ofusca do intelecto qualquer clareza! Peço-te: não esperes sublime nobreza Quando o fel desfigura esta boca amarga!
Dos versos - em vazão ao desgosto - fiz travas A fim de vedar-me das garras da tristeza! No amar tecido de meiga sutileza
E das adagas que sem piedade cravas! Pois, copiosas lágrimas não entravas Lavando a emoção regada na firmeza! Marúcia Herculano
Enviado por Marúcia Herculano em 11/11/2008
Alterado em 05/12/2009 Comentários
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