

Machado, Felipe Palavra de Homem – Tudo que você queria saber sobre o comportamento masculino mas ninguém tinha coragem de confessar / Felipe Machado. – São Paulo – Editora CL-A Cultural, 2019.
Minha experiência a respeito do livro PALAVRA DE HOMEM do Jornalista, Músico (fundador da Banda VIPER nos anos 1980), Publicitário e Escritor com vasto reconhecimento e sucesso em todos os aspectos profissionais, FELIPE MACHADO.
A alma e a consciência de uma mulher é um oceano profundo demais e, ninguém consegue alcançar seus segredos mais íntimos, caso assim ela deseje. Se optar por uma postura diferenciada, será trucidada numa sociedade marcada pelo patriarcado misógino que naturaliza e até estimula determinados comportamentos masculinos.
E o coração de um homem: aparentemente translúcido, seja em suas sentenças curtas e definitivas; ou, nas claras entrelinhas que, pela própria vontade feminina e esperança desregrada se recusa a aceitar fatos, como se fosse conseguir revertê-los. O maior engano de uma mulher e de qualquer outro ser é alimentar a expectativa de modificar o caráter de quem, um dia, supostamente amou.
Entretanto, relacionamento é o eterno baile de máscaras, onde os personagens desfilam conforme o que lhes é mais vantajoso. Não que seja por simples maldade, parece estar cimentado no próprio DNA, nas interrelações sociais, no ambiente familiar, esse tipo de conduta. E as mulheres não são exceção à regra, contudo, nesse jogo quase sempre desigual, são criados mecanismos para facilitar as ações do macho alfa e seu séquito, enquanto para as fêmeas sobram punições, ostracismo, morte social e física quando ultrapassam cínicas condutas e valores.
E foi dessa forma despretensiosa que me deparei com PALAVRA DE HOMEM, onde Felipe Machado propõe desmistificar “tudo o que o você queria saber sobre o comportamento masculino como ninguém tinha coragem de confessar.”
À princípio sorri, entre incrédula e sarcástica e, pensei: como um alienígena, que fala um dialeto obscuro, poderia ensinar algo sobre sua raça. Sim! É dessa maneira que vejo os homens.
Como pequenas crônicas temáticas poderiam descortinar a complexa suavidade da paternidade, a dor dos finais de relacionamento – de onde emergem sentimentos de frustração, impotência, rejeição, rancor (tão avassaladores quanto duradouros)? Porque a real, verdade seja dita, é mais fácil colocar numa folha de papel em branco esses sentimentos do que vivenciá-los no dia a dia.
Contudo, o contraditório, a distorcida mente humana é o calcanhar de Aquiles de quem ora lhes escreve. E ainda poderia admirar um belo homem na capa. Tudo a favor da escolha de tentar.
E mais: ele é músico! E qual linguagem tão universal e inclusiva poderia existir? Logo se tornou perceptível para além da curiosidade que, havia muito a aprender: e a compra e leitura do livro se revelaram a experiência mais instintiva, deliciosa e reflexiva no que se refere à literatura.
Sendo de caráter leve e bem humorado (cujo interesse majoritário é feminino), a obra demonstra possuir uma tremenda profundidade quando analisada de forma criteriosa: é o desafio de se olhar no espelho e, permitir fluir a própria realidade, nunca se prendendo a conceitos rasos que se apropriam de romances de teor repetitivo. Ao contrário, é mágico abraçar perspectivas tão diversas do mesmo fato, sabendo que nenhuma delas leva o rótulo de correta ou incorreta. São valores, contextos, vivencias e criações distintas.
PALAVRA DE HOMEM nos remete a conceitos tão antigos quanto o tempo e, foram construídos (senão em sua totalidade) em parte por mãos femininas que, de geração para geração passaram aos seus filhos, filhas e netos conceitos que seriam risíveis, caso não fosse ainda tão presentes na sociedade, e alicerçassem muitas das mazelas do cotidiano.
Por breve momento, pode-se cair na armadilha de se tratar de um livro autobiográfico, todavia, tais situações mostradas estão acontecendo, nesse exato momento com várias pessoas. Ocorreu comigo e com você.
Após a leitura, ficará aquele gostinho de quero mais, ainda que ocasionalmente, suscite mais dúvidas do que certezas.
Quanto ao autor, FELIPE MACHADO, considero magistral a sua argumentação. No entanto, tenho uma perspectiva diferente em diversos aspectos. Sua visão me fez repensar bastante, embora tende a discordar em partes bem específicas (que possam, provavelmente, serem analisadas de forma distinta por outros leitores).
A escrita é incrivelmente envolvente e o livro todo é uma obra que convida a contestar, concordar, dar boas risadas e, - quem sabe – transformar.
Sobre a decisão do protagonista na última crônica – trouxe lágrimas aos olhos e uma suave sensação de que afinal, homens e mulheres possam ser do mesmo planeta ou, na pior das hipóteses, vir da mesma poeira cósmica. Vivi o conflito interno do protagonista e, confesso, tomaria caminho inverso ao dele (mas, sou mulher! Graças a Deus). Todavia, isso só prova o quanto a obra me prendeu. E o quanto foi fundamental para expandir horizontes e repensar as próprias certezas “inabaláveis”.
Entre risos, lágrimas e questionamentos profundos, PALAVRA DE HOMEM demonstrou que os homens estão muito distantes de serem totalmente diferente de nós, mulheres. Eles amam, sofrem, abdicam, choram escondidos, carregam fardos, temores e responsabilidades.
Porém, foram inversamente construídos socialmente: programados para suprimir emoções, fraquezas, exercer dominância. Eles nem desconfiam, porém, são solitários, perdem o brilho no decorrer dos anos e, parecem sempre precisar da validação gestual e conceitual de suas ações.
Por essa compreensão, valeu tanto a leitura, que exercitou a capacidade de buscar entrelinhas, vislumbrar contextos mais amplos que meramente o fato em si.
Recomendo a todos, homens e mulheres, que não têm medo de confrontar fantasmas, fatos e mudanças. E aceitar e respeitar as diferenças, ainda quando discorde delas.
VOCÊ ENCONTRA PALAVRA DE HOMEM, DE FELIPE MACHADO, NO MERCADO LIVRE E OUTROS LOCAIS, POR UM VALOR ACESSÍVEL! PALAVRA DE MULHER: VALEU DEMAIS!!!
Marúcia Herculano
Marúcia Herculano
Enviado por Marúcia Herculano em 06/07/2026
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